sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Capítulo 7

Filadélfia, Casa da "Família Holden", 2007.

Angela realmente havia adotado aquelas duas adolescentes, poucos anos mais novas do que ela mesma, que havia, a pouco, completado seus 20 anos.
As três passaram a morar juntas, Angela arrumou um emprego fixo e ficou mais caseira, apoiava as jovens em seus problemas e conflitos. Jennifer contou, semanas depois, que tinha uma irmã gêmea, que gostaria que Angela a trouxesse para a casa também. E assim foi feito. A jovem Jenna chegou alguns dias depois, mas Angela mal sabia o problema que estava arrumando.

Saída da Escola Estadual, Brasil.


A jovem de olhos verdes saíra da escola empolgada, como sempre, dera uma volta com suas amigas pelas ruas do pequeno centro da cidade, indo até a praça, sentando para conversar.
Assim que deu a sua hora, ela despediu-se das demais e partiu. Andava um bom caminho à pé até sua casa, caminho esse que, em manhãs de pressa ao sair de casa atrasada para a escola, percorria em dez minutos, embora o normal levado fosse de, no mínimo, o dobro, para quem anda normalmente, com calma.
Ela passava pelo campo de futebol da cidade, pela rodoviária, continuava em frente, passava por um posto de gasolina, continuava. Subia uma rua paralela à avenida, então chegava em casa. Muitas vezes acontecia um fato estranho, saía da escola sob um sol de rachar e, ao chegar no posto, adiante até sua casa, era uma chuva intensa (do nada). Isso a fazia rir, outras vezes lamentar. Mas era algo diferente em sua caminhada.

Quarto das gêmeas, Filadélfia.

Jenna era uma garota difícil, problemática, desobediente. Não tinha a mesma consideração de mãe por Angela como as outras duas, talvez pela pouca diferença de idade, era exatamente o contrário, ela a desafiava cada dia mais.
Naquele dia, Angela explodiu. Jennifer havia engravidado, sensível, chorava por qualquer coisa. Jenna aproveitavasse disso para provocá-la, irritá-la. Naquela tarde, assim que chegou do trabalho, Angela se deparou com a Famke desesperada, pois Jen chorava muito e Jenna a importunava. Ela subiu direto para o quarto. Encontrou as duas moças atracadas, Jen perdia feio já que a barriga de pouco mais de 7 meses à atrapalhava um bocado.
Entrou no meio da confusão, pegou cada uma delas por uma orelha, como sua própria mãe costumava fazer com ela mesma, e alterou a voz o mais séria e grave possível.
- Peçam desculpas uma à outra. AGORA!
Jenna limitou-se a se emburrar e se debater. Gritava com a jovem mulher que lhe segurava a orelha.
- ME SOLTA! Você não manda em mim!
Jen, por sua vez, era apenas choro, mal falava ou gesticulava. Sua orelha foi liberada e um dedo estendeu-se a ela, apontando a parede onde ficava a cama dela, a qual a mocinha sentou-se e encostou-se, aos prantos. As atenções voltaram-se para a rebelde diante dela, enquanto Famke consolava a irmã de coração.
- Sua irmã está grávida. Não tem o menor senso de cuidado, não tem o menor carinho por ela, não é?
- Ela é uma chorona, não faz outra coisa a não ser chorar. Eu só faço com que fique engraçado.
- Mexendo com ela para fazê-la chorar? Muito engraçado. E batendo nela?  Você enlouqueceu?
- Me deixa, você não é minha mãe! Você é tão vadia quanto minha irmã!
Um tapa virou o rosto da jovem de cabelos castanhos, fazendo-os cair sobre ele. Ao voltar seu rosto para a loira que a segurava, agora pelo braço, cuspiu em sua direção. Aquilo foi demais, por um instante Angela se viu fazendo o mesmo que sua mãe costumava fazer com ela durante sua própria pré-adolescência. Ela arrastou Jenna, naquele momento leve como uma pena, devido a força que a raiva lhe dava. A mocinha esperneava e fazia corpo mole, não importava, foi arrastada até o banheiro, seu destino foi o vaso sanitário. Angela segurou firme os cabelos castanhos e ameaçou empurrar sua cabeça ali dentro.
- Vai se desculpar! Comigo e com sua irmã!
- Não vou!
Ela empurrou um pouco mais na direção da água.
- Vai sim! Vai se desculpar!
- NÃO!
O não alto dela a despertou daquele transe, viu suas outras duas "filhas" olhando-a apavoradas. Jen ainda chorava, agora ainda mais descontroladamente. Angela soltou Jenna, que caçoou dela assim que se viu livre e se levantou. A loira se aproximou e deu um empurrão leve na mocinha rebelde, fazendo-a cair dentro da banheira cheia. Essa parte era improviso seu, porque antigamente sua mãe realmente enviava a sua cabeça dentro privada e dava desgarga, chamando-a por palavrões. Ela deixou o banheiro das garotas e foi para seu próprio quarto, atordoada. Mas aquele banho deixou o clima mais leve, Jen ainda soluçava, o rosto molhado de lágrimas, mas agora ria, da estressadinha que se erguia da banheira, ensopada.

Em casa, após a escola, Brasil.


Já fazia algum tempo que ela havia chegado, viu um pouco de tv e tirou um leve cochilo assim que começou a passar o Pica-Pau. Assim que acordou, olhou as horas, desligou a tv e foi direto para o computador.
Ali, encontrou suas duas melhores amigas, Jéssica e Karla. A segunda disse que queria lhe apresentar alguém, talvez mais uma "filha" para a família. A mocinha conheceu então Anna. A princípio não tiveram uma amizade muito boa, Anna era fechada e parecia não confiar nela, não deixar se aproximar.
Mas naquela tarde e noite, juntaram-se um pouco mais, seus jogos as fizeram rir, embora ouvesse conflito na tela, fora dela as quatro riam e comentavam, dando opiniões para a cena e surpreendendo-se com as coisas que aconteciam.

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