sábado, 26 de janeiro de 2013

Capítulo 12

Novembro de 2008, Clínica veterinária Quatro Patas, Centro.

Fazia um ano que a princesinha da casa, a gatinha siamesa Milly, havia sido adotada. Foi um período de alegria, a felina era a alegria da família e a fonte de distração de sua dona, que tinha enfrentado períodos difícies em relacionamentos.
Entretanto, com o passar do tempo, a gatinha passou a entrar no cio, causando um barulho infernal dentro da casa que passou a irritar o padrastro mala da garota. No mês de novembro, assim que a gatinha completara seu primeiro ano de vida, no dia 13, foi levada à clínica veterinária para ser castrada.
Depois que tudo fora acertado, ela ficou uns dois dias na clínica e foi operada. Não houve problemas e ela logo retornou para casa. A veterinária havia recomendado que não deixassem que ela pulasse para subir em lugares altos, disse que ela lamberia os pontos, que aquilo era normal e a saliva ajudava a cicatrizar. Pediu para que ficassem de olho nela apenas sobre pular e correr, para não abrir os pontos internos.
A preocupação com a gatinha era tanta que o quarto da mocinha de olhos verdes se tornou um quarto "acolchoado". Sua mãe e padrasto pegaram todos os colchões e almofadas disponíveis na casa e forraram o chão de seu quarto, para amortecer o impacto do pulo da gatinha e também para diminuir a distância entre o chão e os possíveis locais onde ela subiria, como o sofá que havia no quarto da garota, a mesa de seu computador e sua cama.
A jovem passava 24 horas de seu dia dentro do quarto com a felina, de olho nela, saía apenas para ir ao banheiro, tomar banho ou pegar comida, ainda assim, apenas depois que alguém, geralmente sua mãe, entrasse no quarto para substituí-la, e logo voltava ao seu posto. Com alguns dias de operada, Milly conseguiu dar um susto tremendo em sua dona, arrancando os pontos da barriga com os dentes. A jovem entrou em desespero. Estava sozinha em casa, ligou para o trabalho da mãe chorando, tentando explicar o ocorrido. A mãe tentou acalmá-la e disse para levar a gata de volta à clínica, que encontraria com ela lá assim que saísse do serviço.
A mocinha de olhos verdes se vestiu apressadamente, pegou a bolsa, que era uma casinha própria para transportar a gata que eles haviam comprado, colocou-a, com cuidado, dentro da casinha, pendurou o peso da bolsa e de Milly em seus ombros, trancou a casa e saiu, à pé, até a clínica no centro da cidade, uns três ou quatro quilômetros de distância.
A médica veterinária a atendeu prontamente, avaliou a gatinha e explicou que ela havia arrancado apenas pontos externos. Decidiu colar nela um colar protetor, que sua dona chamava de "abajurzinho". A mulher disse que os gatos geralmente se incomodavam com coisas presas à eles, então que era para reparar se ela ficava agitada, querendo tirar o colar, então poderia trazê-la de volta e ela ficaria mais alguns dias na gaiolinha tendo cuidados apropriados.
Para sorte da jovem, sua gata se manteve tranquila com aquele enorme funil branco em volta de seu pescoço. A moça de olhos verdes passou o mês inteiro de dezembro em seu quarto, com sua gata, o que fez com que o vínculo entre elas aumentasse. A gata procurava sua cama durante a noite para dormir, vinha em busca de carinho e, ao tentar encostar seu nariz no rosto da dona, batia-lhe com o "abajur" na cabeça, grande parte das vezes na testa, o que gerava risos e, algumas vezes, sustos durante a noite. A gatinha, em algumas ocasiões, procurava os piores lugares para se dormir, no pescoço de sua dona, outras vezes na cabeça, mas ela não se mexia, deixando com que a peludinha escolhesse o local que queria, manifestavasse apenas quando a posição a incomodava, fazendo a gata se ajeitar entre seus braços ou pernas. Foi um mês difícil. Dormia mal durante a noite, por conta das investidas de Milly, ou mesmo para ceder lugar a ela, dormia de mal jeito. Nunca havia passado tanto tempo trancada dentro de um único cômodo. Não colocou a cara para fora de casa, mal saía do quarto, acabou, por fim, esquecendo-se de Angela também, ou dando um tempo para a loira de olhos azuis, embora algumas vezes a visitasse em seu cantinho.
No ínicio de 2009, Milly estava bem melhor e espoleta, curada, apesar do susto. Só então sua dona voltou a respirar tranquila.

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