Interestadual 10W, Estados Unidos, Março de 2006, aproximadamente 18hs.
- Me chamo Angela, tenho dezessete, quase dezoito anos. Sabe aquela sensação de ter caído no mundo de paraquedas? Essa é a sensação que eu tenho.
- Nasci em Phoenix, no Arizona, mas não tenho qualquer lembrança da minha vida, pelo menos até meus quinze anos. A única coisa que tinha era um presente escroto em uma cidade onde eu não me encaixava. Meus pais não me entendiam, eu não parava em nenhuma escola. O ápice? Quando descobriram que eu namorava uma garota no colégio. Me expulsaram de casa. Já estava com vontade de fugir, aquilo me serviu de impulso. Onde estou agora? Rumando para Santa Mônica, com o jipe da família. É, acho que meu velho deve ter se arrependido de ter me dito pra pegar minhas coisas e sumir. Era eu quem dirigia esse jipengo desde antes dos dezesseis, então agora ele é meu.
- Escolhi Santa Mônica como primeira parada. Tem muita gente por lá, turistas, tem empregos, vai ser mais fácil para eu me estabilizar. Se vou fincar raízes? Não. Eu não sou uma árvore, estou mais para um grão de areia, levada pelo vento e, no momento, o vento está me levando até lá.
Interior do estado de São Paulo, Brasil, Março de 2006, 17:30hs.
Escola durante a manhã toda, o restante do dia sozinha em casa. Uma conversa sobre o muro com o vizinho. Um padrasto que chega e se estressa ao ver a cena. Alguns cascudos. Lágrimas.
- Como eu queria estar longe daqui. Angela, preciso tanto de você agora.
Ela se senta à beira da cama e pega um caderno surrado, mas guardado com todo carinho e às escondidas de olhos curiosos. Escreve, segura suas lágrimas, guarda-o. Algum tempo depois, lá está ela, em frente ao seu computador, tentando se distrair, se reconfortar.
Santa Mônica, Califórnia.
- Finalmente, cheguei! Ah, o cheiro da maresia! Isso sim é um ótimo lugar para se recomeçar.
O jipe foi estacionado próximo à areia e despertou olhares. Provavelmente por seu estado precário, ou ainda pela bela loira de olhos claros que descia do banco de motorista.
Alguns passos, o pé tocou os grãos ao qual ela tanto se identificava, então disparou em uma corrida para a água e deu o seu primeiro mergulho naquele mar.
- Me chamo Angela, tenho dezessete, quase dezoito anos. Sabe aquela sensação de ter caído no mundo de paraquedas? Essa é a sensação que eu tenho.
- Nasci em Phoenix, no Arizona, mas não tenho qualquer lembrança da minha vida, pelo menos até meus quinze anos. A única coisa que tinha era um presente escroto em uma cidade onde eu não me encaixava. Meus pais não me entendiam, eu não parava em nenhuma escola. O ápice? Quando descobriram que eu namorava uma garota no colégio. Me expulsaram de casa. Já estava com vontade de fugir, aquilo me serviu de impulso. Onde estou agora? Rumando para Santa Mônica, com o jipe da família. É, acho que meu velho deve ter se arrependido de ter me dito pra pegar minhas coisas e sumir. Era eu quem dirigia esse jipengo desde antes dos dezesseis, então agora ele é meu.
- Escolhi Santa Mônica como primeira parada. Tem muita gente por lá, turistas, tem empregos, vai ser mais fácil para eu me estabilizar. Se vou fincar raízes? Não. Eu não sou uma árvore, estou mais para um grão de areia, levada pelo vento e, no momento, o vento está me levando até lá.
Interior do estado de São Paulo, Brasil, Março de 2006, 17:30hs.
Escola durante a manhã toda, o restante do dia sozinha em casa. Uma conversa sobre o muro com o vizinho. Um padrasto que chega e se estressa ao ver a cena. Alguns cascudos. Lágrimas.
- Como eu queria estar longe daqui. Angela, preciso tanto de você agora.
Ela se senta à beira da cama e pega um caderno surrado, mas guardado com todo carinho e às escondidas de olhos curiosos. Escreve, segura suas lágrimas, guarda-o. Algum tempo depois, lá está ela, em frente ao seu computador, tentando se distrair, se reconfortar.
Santa Mônica, Califórnia.
- Finalmente, cheguei! Ah, o cheiro da maresia! Isso sim é um ótimo lugar para se recomeçar.
O jipe foi estacionado próximo à areia e despertou olhares. Provavelmente por seu estado precário, ou ainda pela bela loira de olhos claros que descia do banco de motorista.
Alguns passos, o pé tocou os grãos ao qual ela tanto se identificava, então disparou em uma corrida para a água e deu o seu primeiro mergulho naquele mar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário