sábado, 12 de janeiro de 2013

Capítulo 2

Píer de Santa Mônica, Estados Unidos, 20hs.

A roda gigante do parque girava iluminada, o carro da montanha-russa fazia os cabelos de Angela voarem em todas as direções. Assim que desceu do brinquedo, ela foi em direção à praia, respirou fundo o ar de maresia e sentou-se na areia, olhando o Pacífico à sua frente.
- Tão imenso, como todas as minhas oportunidades.
A moça acabara de se instalar na casa de um rapaz com o qual se identificara muito, não de forma sexual ou romântica, mas afetiva. Ele ficou conhecido como seu "pai postiço", pelo modo cuidadoso como tratava a moça e a protegia.
Angela já fizera uma grande quantidade de amigos em seu primeiro dia por ali, estava satisfeita com o que a vida estava lhe dando. A única coisa à qual ela não entendia era a si mesma. Estava perturbada naquele dia, embora não pudesse entender o por quê. Tentava a todo custo manter-se natural, mas as patadas em alguns amigos saíam com uma facilidade maior do que a esperada.

Sala da 8ª série, Escola Estadual, Interior de SP, 12:00hs.

- Ai, ela tá azeda hoje, melhor deixar ela quieta. - disse uma das amigas da garota emburrada que estava vestida de preto da cabeça aos pés.
- Não, ela vai rir, ela não aguenta. - Disse a outra amiga que tentava fazer gracinhas com a moça que resistia bravamente.
Chegou a hora da saída dos alunos, as duas amigas riam e tentavam arrancar palavras da emburrada. Ela conversava com as amigas, estava séria, com a blusa preta de capuz, colocado na cabeça tampando uma parte de seu rosto, parecia uma marginal. Sua paciência era curta, era explosiva. Falava à sério com a melhor amiga, que mantinha-se rindo.
- Dá pra parar de rir que eu tô falando sério? Acha que sou palhaça?
Um aceno de cabeça confirmando foi a gota d'água para a garota explodir. Pegou a amiga, alguns centímetros mais baixa que ela, pelo pescoço e esgueu junto ao muro, apertando-o.
- Vai parar de rir agora?
Sua atitude explosiva acabou gerando mais risadas das duas, a garota ergue-a mais um pouco. Um casal passou e a mocinha livre que ria viu:
- Para de brincadeira, tem gente olhando já.
O modo como saiu caçoado enlouqueceu a agressora. Quando notou que a amiga interrompeu o riso com uma tosse, provavelmente porque o recém aperto mais forte tivesse lhe tirado agora o ar, ela a soltou e saiu andando em disparada rumo à praça da igreja, deixando a que ria e a que se recuperava, rindo, às suas costas.

Banco do parque de diversões do Píer.

Uma pausa, talvez apenas uma pausa fosse o suficiente para Angela se acalmar. O excesso de pedidos de desculpas por estar tacando pedras em pessoas legais já a estava incomodando. Respirou fundo, um rapaz se aproximou, conversaram. Conseguiu se comportar decentemente porque o cara era alguém muito interessante, inteligente, não dava brechas para suas patadas, fez com que a loira até mesmo se esquecesse delas e levasse tudo em uma grande brincadeira. Aquele era o começo de uma bela amizade.

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